Foto 31 Ott 4 note bernardobiagioni:

ontheroad to dois mil e onzetrês anos na estrada. um texto sem destino

Estamos todos ficando loucos, perdidos e soltos no meio da vastidão de amor e solidão de que é feita o mundo. Não sou eu quem vai te convencer disso - até porque eu só estou completando três anos de jornalismo - mas é bom que em algum momento deste tempo eu apareça para te dizer alguma coisa mais relevante do que simplesmente a verdade óbvia que andou entre as entrelinhas dos textos que estive rabiscando nas últimas 30 edições desta revista. 
As vezes eu acho que estou vivendo no meio de um furacão forte, desses que duram dias, mas dessa vez é como se estivéssemos no meio do maior deles, o maior que já existiu. O tempo todo eu tenho a sensação de que estou sendo jogado de um lado para o outro, de um lugar para o outro, como um barco na maior tempestade que encontra pelo caminho. É como se fosse aqui, agora, o epicentro do terremoto do tempo, quando algumas coisas ficam, outras coisas vão, e tudo, todos os dias, todas horas, e todos os segundos passam a fazer parte daquilo que está começando agora.
(Caminhos tortuosos da Babilônia e o Paraíso Perdido)
Eu cresci ouvindo de alguns amigos a nostalgia de querer fazer parte de uma outra época da história, “os anos 60”, a “geração hippie”, e coisa e tal. Nunca entendi isso. Mas entre uma segunda-feira e outra eu costumo acordar pensando que bom mesmo seria ter vivido naquele tempo, quando as coisas respiravam com calma, o fogo provinha da lenha, a terra tinha cheiro de chuva, e se fazia revolucão enquanto se tragava um cigarro.
Hoje a revolucão acontece antes de você tirar o maço do bolso.
Longe de mim querer negar o passado. Sei do sangue da ditadura, das preces de Lennon, da revolta de Dylan e, bem, dos desencontros de Vinícius. Mas também dança na minha cabeça as últimas investidas no Líbano, o último filme da Sophia Coppola, as tretas da Palestina, a revolucão do Twitter, Michel Temer na presidência, o que Mark Zuckerberg anda tramando e… qual era o nome daquela garota de ontem mesmo?
E aí, de repente, nós, jovens, começamos a ficar dependentes de…estímulos. “Não, professor. Eu não leio jornal”. É que agora a gente precisa muito mais do que palavras timbradas para estimular as nossas aspirações e ambições para um mundo de fama e sucesso. “Não leio jornal, mas estou no facebook”, respondam. Talvez os anos nos provem que estamos no caminho certo passando 5 ou 6 horas por dia navegando por mídias sociais. Talvez.
(quatro dias de vinho, bicicletas roubadas e camping ilegal em elba)
Hoje nós somos os estímulos que recebemos, pois, e “me dê algo para fazer entre um parágrafo deste texto e outro”. Eu leio o Twitter enquanto o elevador não chega. Vejo fotos no Instagram enquanto o açai não fica pronto. Respondo emails importantes enquanto me enfio pelas montanhas da cidade para desbravar os percalços da minha consciência sutilmente alterada.
Não sobra tempo para nada. Onde sobra tempo, eu enfio um fone nos meus ouvidos.
Sorte que parece que estamos todos preparados para partir. Finalmente. Cada vez faz menos sentido “ficar” e se render aos sacrilégios de uma vida de conforto, segurança, e planos respeitáveis para um futuro de paz e tranquilidade. Vivendo no caos, queremos cada vez mais caos. Mesmo que seja só para embaralhar ainda mais os nossos sentidos deturpados pelos excessos que acometem a nossa alma, “queremos sempre mais”, e pode ter certeza que queremos mesmo.
(Café da manhã antes de sairmos para desbravar os caminhos da França)
“Geração perdida”, vão dizer. Mas há de se notar que estamos apenas tentando encontrar um pouco de fôlego no meio da falta de ar que pode ser Viver Agora, com todos estes caminhos abertos que existem para explorarmos o infinito, com todos essas pessoas verdes online no facebook esperando apenas uma verdade, uma pergunta, um convite para sair e enfrentar de frente os mistérios que palpitam os cinco continentes do planeta nesta sexta-feira de outono.
O nosso vazio existencial hoje preenche o mundo de possibilidades, caminhos e incertezas apaixonantes. A nossa fraqueza está numa força invisível impiedosa que nos obriga a olhar sempre para frente todos os dias das nossas vidas. A verdade é que não sabemos - e raramente nos perguntamos - para onde é que estamos indo. Mas se o jornalismo me permite desta vez uma viagem mais profunda: as vezes eu tenho a sensação que é a angústia desta geração que vai calar as dúvidas que hoje caminham trôpegas pelo mundo. 

fotos ricardo villela, fernando biagioni e bernardo biagioniontheroad publicado na revista ragga #49, edição de junho de 2011

bernardobiagioni:

ontheroad to dois mil e onze
três anos na estrada. um texto sem destino



Estamos todos ficando loucos, perdidos e soltos no meio da vastidão de amor e solidão de que é feita o mundo. Não sou eu quem vai te convencer disso - até porque eu só estou completando três anos de jornalismo - mas é bom que em algum momento deste tempo eu apareça para te dizer alguma coisa mais relevante do que simplesmente a verdade óbvia que andou entre as entrelinhas dos textos que estive rabiscando nas últimas 30 edições desta revista. 

As vezes eu acho que estou vivendo no meio de um furacão forte, desses que duram dias, mas dessa vez é como se estivéssemos no meio do maior deles, o maior que já existiu. O tempo todo eu tenho a sensação de que estou sendo jogado de um lado para o outro, de um lugar para o outro, como um barco na maior tempestade que encontra pelo caminho. É como se fosse aqui, agora, o epicentro do terremoto do tempo, quando algumas coisas ficam, outras coisas vão, e tudo, todos os dias, todas horas, e todos os segundos passam a fazer parte daquilo que está começando agora.


(Caminhos tortuosos da Babilônia e o Paraíso Perdido)

Eu cresci ouvindo de alguns amigos a nostalgia de querer fazer parte de uma outra época da história, “os anos 60”, a “geração hippie”, e coisa e tal. Nunca entendi isso. Mas entre uma segunda-feira e outra eu costumo acordar pensando que bom mesmo seria ter vivido naquele tempo, quando as coisas respiravam com calma, o fogo provinha da lenha, a terra tinha cheiro de chuva, e se fazia revolucão enquanto se tragava um cigarro.

Hoje a revolucão acontece antes de você tirar o maço do bolso.

Longe de mim querer negar o passado. Sei do sangue da ditadura, das preces de Lennon, da revolta de Dylan e, bem, dos desencontros de Vinícius. Mas também dança na minha cabeça as últimas investidas no Líbano, o último filme da Sophia Coppola, as tretas da Palestina, a revolucão do Twitter, Michel Temer na presidência, o que Mark Zuckerberg anda tramando e… qual era o nome daquela garota de ontem mesmo?

E aí, de repente, nós, jovens, começamos a ficar dependentes de…estímulos. “Não, professor. Eu não leio jornal”. É que agora a gente precisa muito mais do que palavras timbradas para estimular as nossas aspirações e ambições para um mundo de fama e sucesso. “Não leio jornal, mas estou no facebook”, respondam. Talvez os anos nos provem que estamos no caminho certo passando 5 ou 6 horas por dia navegando por mídias sociais. Talvez.


(quatro dias de vinho, bicicletas roubadas e camping ilegal em elba)

Hoje nós somos os estímulos que recebemos, pois, e “me dê algo para fazer entre um parágrafo deste texto e outro”. Eu leio o Twitter enquanto o elevador não chega. Vejo fotos no Instagram enquanto o açai não fica pronto. Respondo emails importantes enquanto me enfio pelas montanhas da cidade para desbravar os percalços da minha consciência sutilmente alterada.

Não sobra tempo para nada. Onde sobra tempo, eu enfio um fone nos meus ouvidos.

Sorte que parece que estamos todos preparados para partir. Finalmente. Cada vez faz menos sentido “ficar” e se render aos sacrilégios de uma vida de conforto, segurança, e planos respeitáveis para um futuro de paz e tranquilidade. Vivendo no caos, queremos cada vez mais caos. Mesmo que seja só para embaralhar ainda mais os nossos sentidos deturpados pelos excessos que acometem a nossa alma, “queremos sempre mais”, e pode ter certeza que queremos mesmo.


(Café da manhã antes de sairmos para desbravar os caminhos da França)

“Geração perdida”, vão dizer. Mas há de se notar que estamos apenas tentando encontrar um pouco de fôlego no meio da falta de ar que pode ser Viver Agora, com todos estes caminhos abertos que existem para explorarmos o infinito, com todos essas pessoas verdes online no facebook esperando apenas uma verdade, uma pergunta, um convite para sair e enfrentar de frente os mistérios que palpitam os cinco continentes do planeta nesta sexta-feira de outono.

O nosso vazio existencial hoje preenche o mundo de possibilidades, caminhos e incertezas apaixonantes. A nossa fraqueza está numa força invisível impiedosa que nos obriga a olhar sempre para frente todos os dias das nossas vidas. A verdade é que não sabemos - e raramente nos perguntamos - para onde é que estamos indo. Mas se o jornalismo me permite desta vez uma viagem mais profunda: as vezes eu tenho a sensação que é a angústia desta geração que vai calar as dúvidas que hoje caminham trôpegas pelo mundo. 



fotos ricardo villela, fernando biagioni e bernardo biagioni
ontheroad publicado na revista ragga #49, edição de junho de 2011

Citazione 2 Ott 262 note
O olho vê,
a lembrança revê
e a imaginação transvê.
— Manoel de Barros. (via cantoqualquer)

(Fonte: cinquenta-receitas)

Citazione 2 Ott 886 note
Não imploro afeto. Não sou indiscreta nas minhas relações. Tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito daqueles que você escolhe para contar os seus segredos.
— Fernanda Young  (via 3mars)

(Fonte: afeta-me)

Citazione 25 Set 2.388 note
Eu gosto do estranho, do incomum. Gosto daquilo que confunde, que permite diferentes interpretações, que fica nas entrelinhas.
— Martha Medeiros. (via anrcc)

(Fonte: cool--cool)

Citazione 25 Set 1.046 note
Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono! Música alta e silêncio.
— Clarice Lispector  (via effacer)

(Fonte: deposito-de-tirinhas)

Foto 25 Set 12.529 note sociedadedospoetasmortos:

E esse é o problema de todas as pessoas que são sinceras: acham que todo mundo também é.
O Caçador de Pipas

sociedadedospoetasmortos:

E esse é o problema de todas as pessoas que são sinceras: acham que todo mundo também é.

O Caçador de Pipas

(Fonte: vingat1va)

Citazione 25 Set 286 note
Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas meu deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum.
— Ana Jácomo. (via distorcido)

(Fonte: questalavita)

Citazione 25 Set 824 note
Às vezes é preciso diminuir a barulheira, parar de fazer perguntas, parar de imaginar respostas, aquietar um pouco a vida para simplesmente deixar o coração nos contar o que sabe. E ele conta. Com a calma e a clareza que tem.
— Ana Jácomo.   (via addictedto-u)
Citazione 25 Set 2.095 note
Não se preocupe, essa angústia que você está sentindo vai passar, a saudade vai acabar. Eu sei que agora parece que o mundo conspira contra você, mas ele gira e em um giro desses tudo pode mudar. Então não desista, sorria. Você é mais forte do que pensa e será mais feliz do que imagina.
— Tati Bernardi (via alcooltecimentos)
Citazione 25 Set 286 note
Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas meu deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum.
— Ana Jácomo. (via distorcido)

(Fonte: questalavita)


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